Tudo parecia exatamente igual, mas não pra mim. Havia um espaço vazio, uma grande mudança que só eu pude ver, uma falta de algo que ainda não se foi. Depois de tantas semanas tentando não pensar nisso, não sentir isso e não lidar com isso, hoje me permiti ver a verdade. Acordei sem ter rumo algum, acordei e tudo o que eu conseguia sentir era falta do amor que eu carregava todos os dias comigo. Andar, comer e falar sem saber que cada célula do meu corpo me mata. Hoje percebi que acabou. Eu sei, acabou tantas vezes. Mas eu nunca senti realmente que tivesse acabado antes. No fundo, eu sempre sabia que de algum jeito, teria volta. Agora não. “Acabou”, realmente, acabou. Me senti completamente perdida e minha única vontade era de chorar ao pensar nisso. Chorar e pedir colo. Chorar e pedir pra Deus voltar no tempo e deixar as coisas como estavam. Não eram perfeitas, mas bastavam pra mim. E agora? É tudo tão silencioso. E ao mesmo tempo, só ouço gritos. Meus gritos, aliás. “Como você pôde deixar? Como você não me segurou enquanto eu ia? A coisa mais difícil que poderia acontecer era você me perder. E você conseguiu. Você surrou, amarrotou e pisou na coisa mais linda que eu carregava dentro de mim: meu carinho por você.” E acho que você nem sequer notou que eu já fui embora há muito tempo. Tudo agora é só um borrão, embaçado e sem vida. Sinto tanto sua falta o tempo todo, mesmo que você esteja perto. Falta do tempo que era “nós”. Então acabou? Não, o carinho nunca acaba. De uma coisa eu tenho certeza: nunca vai acabar. Mas, o coração pede pausa às vezes. Queria que você visse o tamanho do estrago. Doía demais sentir. Então eu optei por deixá-lo adormecer. É, apenas adormeceu. Mas lá no fundo, ainda dá pra sentir todos os dias. Eu ainda vejo quando sinto sua falta. E eu ainda te amo, mesmo que eu tenha afastado esse amor de dentro de mim. Talvez volte, talvez não.

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