quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Todo mundo quer ser legal, e todo mundo se ferra na empreitada. É difícil ser legal o tempo inteiro. A gente consegue ser legal a maior parte do tempo, mas aí faz uma besteira e pronto: tudo o que você fez de bom é imediatamente esquecido e você se torna apenas aquele que fez a grande besteira. Aí você precisa de mais uns dois meses sendo exclusivamente legal para todo mundo esquecer da besteira. E quando eles esquecem, você faz outra, claro.

(...)


Ando pensando demais nos outros e esquecendo de mim. Ando dando ouvidos demais aos outros e esquecendo do que meu coração diz. Estou começando a cansar dessas coisas que me trazem apenas uma paz momentânea, e esquecendo daquilo que me traz uma paz infinita. Ando meio cega, meio perdida, meio sem rumo. Apesar de sempre achar que estou conseguindo fazer o que eu quero fazer, mas meio que sem querer as coisas se desfazem, não se encaixam mais, se perdem. E então, eu percebo que tudo não passou de ilusão ou de coisinhas que uma típica menina sonhadora como eu costumo pensar. Ilusão, acho que é uma das únicas que não sei ao certo como explicar. Porque sempre que eu acredito que aprendi a não tropeçar nas minhas próprias palavras, vem alguém ou algo e me faz cair de novo. E então, percebo que por mais que eu aprenda no momento, eu desaprendo rápido também, e essas coisas começam a se tornar costume. Tropeçar e cair já virou um costume. Mas mesmo assim, não continuo no chão, eu me ergo, me levanto, eu sorrio, eu tento esquecer e continuar vivendo. Até o momento que eu caio de novo, mas eu me levanto de novo e de novo e de novo. Porque eu sei que em algum momento a felicidade irá ser verdadeira, por mais que demore, meus sonhos de felicidade um dia vão sorrir pra mim, e não estarão sorrindo apenas dentro do meu pensamento, eles estarão frente a frente comigo. E pra sempre. Não da maneira que sempre esteve, não da maneira que a falsidade estava. Quando minha felicidade plena chegar, estarei sorrindo para a realidade, e não apenas pros meus sonhos. Eu estarei vivendo meus sonhos, e não apenas tentando torná-los realidade. Eu estarei voando com os pés no chão, mas com a realidade e os sonhos de mãos dadas comigo. E é isso que eu quero. Quero viver em paz absoluta, quero sorrir sabendo que será verdadeiro. E não quero apenas me perder em falsas palavras de falsas pessoas que me fazem ter falsos sonhos que nunca se tornarão reais.

Hoje acordei com um nó na garganta.


Tudo parecia exatamente igual, mas não pra mim. Havia um espaço vazio, uma grande mudança que só eu pude ver, uma falta de algo que ainda não se foi. Depois de tantas semanas tentando não pensar nisso, não sentir isso e não lidar com isso, hoje me permiti ver a verdade. Acordei sem ter rumo algum, acordei e tudo o que eu conseguia sentir era falta do amor que eu carregava todos os dias comigo. Andar, comer e falar sem saber que cada célula do meu corpo me mata. Hoje percebi que acabou. Eu sei, acabou tantas vezes. Mas eu nunca senti realmente que tivesse acabado antes. No fundo, eu sempre sabia que de algum jeito, teria volta. Agora não.  “Acabou”, realmente, acabou. Me senti completamente perdida e minha única vontade era de chorar ao pensar nisso. Chorar e pedir colo. Chorar e pedir pra Deus voltar no tempo e deixar as coisas como estavam. Não eram perfeitas, mas bastavam pra mim. E agora? É tudo tão silencioso. E ao mesmo tempo, só ouço gritos. Meus gritos, aliás. “Como você pôde deixar? Como você não me segurou enquanto eu ia? A coisa mais difícil que poderia acontecer era você me perder. E você conseguiu. Você surrou, amarrotou e pisou na coisa mais linda que eu carregava dentro de mim:  meu carinho por você.” E acho que você nem sequer notou que eu já fui embora há muito tempo. Tudo agora é só um borrão, embaçado e sem vida. Sinto tanto sua falta o tempo todo, mesmo que você esteja perto. Falta do tempo que era “nós”.  Então acabou? Não, o carinho nunca acaba. De uma coisa eu tenho certeza: nunca vai acabar. Mas, o coração pede pausa às vezes. Queria que você visse o tamanho do estrago. Doía demais sentir. Então eu optei por deixá-lo adormecer. É, apenas adormeceu. Mas lá no fundo, ainda dá pra sentir todos os dias. Eu ainda vejo quando sinto sua falta. E eu ainda te amo, mesmo que eu tenha afastado esse amor de dentro de mim. Talvez volte, talvez não.